quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Timão precisa de projeto para Fielzão não virar Engenhão

A Odebrecht, construtora do estádio do Corinthians, principal opção de São Paulo para receber a abertura da Copa do Mundo, tem experiência para subir arenas esportivas. Porém, o estádio mais conhecido do público brasileiro construído com a participação da empresa teve problemas logo após a conclusão: o Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, que fica localizado no Rio de Janeiro.
Dois anos após a entrega para a realização dos Jogos Pan-Americanos de 2007, o estádio passou por uma inspeção do Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro (TCMRJ), que constatou uma série de problemas, como rachaduras, vazamentos e infiltrações na arena. Após o relatório do TCMRJ, a Odebrecht e outras empresas envolvidas na construção tiveram de realizar uma série de reparos no Estádio João Havelange.
Procurada para saber se os mesmos problemas enfrentados no Engenhão poderiam se repetir no estádio do Corinthians, a Odebrecht afirmou que as imperfeições da arena carioca foram originadas antes da entrada dele no empreendimento, quando o Consórcio 1, liderado pelas construtoras Delta Construção, Racional e Recoma, era responsável pela obra.
O Consórcio 1 respondeu que todos os serviços solicitados pela Prefeitura do Rio de Janeiro, a partir do relatório do TCMRJ, foram prontamente executados e entregues dentro do prazo estipulado, mas não entrou no mérito de quem seria o culpado pelos problemas.
Segundo o professor de Engenharia Civil da FEI-SP, Luiz Sérgio Coelho, uma grande parte dos problemas não teriam acontecido se o orçamento e o planejamento do estádio tivessem sido bem feitos.
“Das “patologias”, 80%, como vazamentos, rachaduras e infiltrações, podem ser evitadas com um bom projeto e a utilização de mão-de-obra e materiais de boa qualidade. O Engenhão foi feito a toque de caixa para o Pan-Americano, com uma série de problemas, como projetos que não estavam prontos no momento de iniciar as obras. Por isso apareceram tantas imperfeições mais tarde”, afirmou.
Dutos dificultam obras
Um dos principais desafios para a construção do novo estádio do Corinthians são os dutos de combustível que passam por baixo do terreno onde será feita a obra.
A Odebrecht diz que já conhecia a existência desses dutos antes do desenvolvimento do projeto e que tomou as precauções necessárias para que eles não atrapalhem a construção. Uma das medidas foi o planejamento do estacionamento na área logo acima dos dutos.
Mas, segundo o professor Luiz Sérgio Coelho, apenas essa medida não é suficiente.
“É preciso fazer uma planta topográfica e estabelecer o perfil geológico do terreno para saber que tipo de fundação será utilizada. Isso será fundamental para que a obra não danifique as construções próximas e os dutos”, afirmou.
A planta topográfica e o perfil geológico do terreno ainda estão sendo feitos pela Odebrecht.
Reportagem: Lancepress

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